27 de dezembro de 2015

[Resenha] - Esperando Por Doggo, de Mark B. Mills

Autor (a): Mark B. Mills
Ano: 2015
Editora: Novo Conceito
Número de Páginas: 224
Onde Comprar? CulturaSaraiva

Dan achava que tinha uma vida feliz com Clara, mas, de uma hora para outra, ela desaparece inesperadamente de sua vida, deixando para trás apenas uma carta de despedida e um cachorro. A pequena criatura é incomum e sequer tem um nome definitivo, ele é simplesmente chamado de Doggo. Agora, Dan tem a missão de devolver Doggo, e, ao mesmo tempo, encontrar um novo emprego. A primeira missão parece ser fácil, a segunda, nem tanto. Com o passar dos dias, Dan começa a desfrutar da companhia de Doggo e não tem coragem de abandoná-lo. De forma singela, mas significativa, a presença do pequeno cão ajuda àqueles que estão ao seu redor. Doggo acaba tornando-se muito mais que um amigo de quatro patas, transforma-se em uma verdadeira fonte de inspiração para o trabalho e para a vida de Dan.

Finalmente, voltei! Estava passando da hora, né? Para isso, tive que recomeçar com uma leitura mais leve e de linguagem fácil, foi quando folheando “Esperando por Doggo”, decidi que este seria meu livro de recomeço. 

Em “Esperando por Doggo”, nos deparamos com Daniel, um sujeito que não está com a vida nada bem – desempregado, acabou de ser abandonado pela namorada e sem ao menos ter tempo para se despedir, tudo que lhe restou foi uma carta e um cachorro miúdo, frágil e feio.

Mas a vida tem que continuar.... E Daniel está prestes a conseguir um emprego em uma agência publicitária e o correto seria devolver o cachorro para um abrigo, para que outra pessoa pudesse cuida-lo como deveria, só que bem.... Não é isso que acontece!

Em um primeiro momento, pensei que a trama giraria em torno do cachorro, porém ele é apenas uma engrenagem para contar a vida de nosso protagonista, o Daniel. Daniel é um homem bem-humorado, inteligente, esperto, um romântico que ainda não vivenciou um grande amor. E Doggo entra na sua vida para inspira-lo, tanto em sua vida pessoal quanto profissional.

O livro também mostra como um animal pode mudar a vida das pessoas que o cercam, como fazem as pessoas mais felizes e as ensinam amar as pequenas coisas e pequenos gestos. É um livro fluído, sem grandes reviravoltas, leve e descontraído, é um santo remédio para tirar a tensão de um dia agitado.

Narrado em primeira pessoa, por Daniel, eu diria que ele se encaixa perfeitamente no estilo lad lit (um chick lit masculino), por basicamente ser narrado por um personagem masculino e falar sobre seu cotidiano, abordando dessa forma um pouco do universo dos homens.

É um livro recomendado para todos, exceto para crianças. Porém, garanto que se você divertirá com a história de Doggo e seu dono. Para finalizar, concluo que a Novo Conceito trouxe uma obra bem revisada e diagramada e foi bem inteligente da parte deles mantarem a capa americana.

9 de junho de 2015

[Resenha] - A Hora dos Ruminantes, de José J. Veiga

Autor (a): José J. Veiga
Editora: Companhia das Letras
Ano: 2015
Número de Páginas: 152
Onde Comprar? Amazon / Americanas

A Hora dos Ruminantes - Considerado o romance mais importante do autor, A hora dos ruminantes conta a história da pequena cidade de Manarairema, que vê a sua rotina alterada por acontecimentos inexplicáveis. Primeiro uma legião de homens, de procedência desconhecida, decide acampar na cidade. Os moradores, temendo represálias e com medo dos visitantes misteriosos, passam a especular sobre a intenção do grupo. Depois, a cidade é tomada por cães, que chegam às dúzias no vilarejo, causando uma inversão de papéis: enquanto os moradores ficam acuados em suas casas, os animais passeiam livremente pela cidade. E, por último, a chegada de centenas de bois completa o quadro alegórico do romance.

A Hora dos Ruminantes é aquele tipo de livro que todos deveriam ler. José J. Veiga nos transportam para uma pacata cidade rural, de nome Manarairema, onde tudo que acontece é novidade. Então, imagine a curiosidade de seus habitantes quando homens misteriosos resolvem acampar ao lado da cidade? Seus moradores ficam em polvorosa, começam as especulações e o medo. Medo da mudança, medo da perda dos direitos e da liberdade. 

O livro não foca em um único personagem, pode-se dizer que a protagonista desta história é a própria cidade. É ela que nos apresenta seus moradores e suas peculiaridades. Aos poucos vamos descobrindo os pensamentos de cada um, como eles lidam com o repentino e com o inusitado.

Existem dois lados de uma mesma moeda: De um lado existe um povo amedrontado e resistente. Do outro, um grupo de homens silenciosos e autoritários, de poucos amigos. De um lado pessoas conformistas e do outro, progressistas. Percebem o contraste? 

Só que os habitantes de Manarairema se sentem acuados se sentem acuados e é com medo daquela velha expressão “a corda se arrebenta do lado mais fraco” que eles acabam se subjugando a vontade do grupo estranho, medo da violência que podem acabar sofrendo. Outro ponto interessante e onde o fantástico toma conta é quando a cidade é invadida primeiro por cachorros e depois por bois. Milhares deles, a cidade já não é dos humanos e sim dos animais. E o pior de tudo? É que o povo sofre calado.

Eles não têm reação. Apenas acostumam com a nova maneira de convivência, mesmo que seja difícil e vão dando “jeitinhos” para continuar a tocar a vida. Vale deixar registrado aqui que a “A Hora dos Ruminantes” foi publicado pela primeira vez, dois anos após a implementação do regime militar de 1964.

Narrado em terceira pessoa, “A Hora dos Ruminantes” é um livro instigante e aconchegante e que traz boas reflexões para a mente do leitor. Mas de uma coisa saiba, não procure por respostas. O grande trunfo do autor neste livro é deixar que o próprio leitor tire suas conclusões.

24 de abril de 2015

[Resenha] - Reboot, de Amy Tintera

Autor (a): Amy Tintera
Editora: Galera Record
Ano: 2015
Nº de Páginas: 352
Onde Comprar? Americanas / Saraiva

Quando grande parte da população do Texas foi dizimada por um vírus, os seres humanos começaram a retornar da morte. Os Reboots eram mais fortes, mais rápidos e quase invencíveis. E esse foi o destino de Wren Connolly, conhecida como 178, a Reboot mais implacável da CRAH, a Corporação de Repovoamento e Avanço Humano. Como a mais forte, Wren pode escolher quem treinar, e sempre opta pelos Reboots de número mais alto, que têm maior potencial. No entanto, quando a nova leva de novatos chega à CRAH, um simples 22 chama sua atenção, e, a partir do momento que a convivência com o novato faz com que ela comece a questionar a própria vida, a realidade dos reinicializados começa a mudar.

Reboot é o livro que veio para me resgatar de uma longa e demorada ressaca literária. Já tinha um bom tempo que não devorava um livro com facilidade, mas o mundo distópico criado por Amy Tinteira, me deixou alucinado e virei as páginas numa velocidade parecida com a Wren, a 178.

Em Reboot encontramos um mundo dizimado pelo o vírus KHD, a grande diferença é que os mortos voltam a vida, pouco tempo depois. Aqueles que mais demoram para voltar, mais fortes e velozes se tornam. Porém, nem tudo são flores: existe uma corporação intitulada CRAH que controla todos os reboots, fazem deles espécies de policiais para controlar o que restou da sociedade humana.

A nossa protagonista é a reboot mais forte, a 178. Temida por todos – humanos e reboots. A única pessoa que ainda mantém uma conversa com ela, é a Ever, sua colega de quarto. Ever é uma menina doce, companheira e que me conquistou a primeira vista. Ela se completa com a Wren que faz uma linha durona e decidida, até mesmo por conta do tempo que levou para ressuscitar.

Porém para animar a história, a autora inseriu um personagem para abalar os sentimentos e convicções da heroína, o Callum, ele é apenas um 22 e isso faz dele um quase humano. É fraco e lento e Wren não ver muitas chances de sobrevivência para ele.... a não ser que ela o treinasse. Isso mesmo, reboots de +120 podem treinar novos reboots. O único problema é que Wren pode escolher quem quer treinar (uma pequena “vantagem” dela ser a mais forte) e ela nunca escolhe os mais fracos, até então sempre foi nos mais fortes... Mas teria a destemida Wren mudado de opinião agora?

Amy Tinteira criou uma obra ágil, cheia de ação e que não cansa a mente do leitor. Neste primeiro volume da trilogia, vamos conhecer como de praxe as regras que permeiam essa sociedade habitada por seres que ressuscitaram dos mortos. Mesmo com a febre de distopias, vide “Jogos Vorazes”, “Divergente”, “Legend” e “O Teste”, a autora consegue trazer sua personalidade na escrita e se diferencia do que já existe. 

Narrado em primeira pessoa pela Wren, acompanhamos um desenrolar de história, sem muitos detalhes e pasmem: mesmo assim ele consegue ser eletrizante, principalmente no seu final. E mal posso esperar pelo lançamento de Rebel aqui no Brasil – segundo livro da trilogia.

16 de abril de 2015

[Resenha] - Contos de Fadas em Quadrinhos, por Chris Duffy

Organizado: Por Chris Duffy
Editora: Galera Record
Número de Páginas: 128
Ano: 2015
Onde Comprar? Saraiva

Numa terra nada, nada distante... Príncipes e princesas reinavam no reino do traço mágico. Cada um deles possuía um talento único. Alguns dominavam as cores; outros, a técnica. Mas todos possuíam a inegável capacidade de transformar tudo o que tocavam em algo mais divertido ainda. E o rei, Chis Duffy, reuniu esse grupo encantado para recontar, em quadrinhos, os mais amados contos de fada. Algumas fábulas se mantêm fiéis às originais. Mas outras trazem reviravoltas divertidas e, muitas vezes, emocionantes. Ao todo, dezessete histórias ganham novo colorido e humor.

Contos de fadas sempre fizeram a imaginação das pessoas, sejam pelo o final feliz ou pelas belas lições que ensinam. Então quando a Galera Record anunciou o lançamento de "Fairy Tale Comics" aqui no Brasil, não pude querer deixar de ler, por dois motivos: Primeiro por ser contos de fadas  e segundo por ser uma releitura em quadrinhos.


A obra organizada por Chris Duffy reúne vários contos, recontado por diversos cartunistas. O resultado? Só coisa boa. Confesso que a maioria dos contos, eu ainda não conhecia, mas mesmo assim gostei de todos. Alguns contos continuam da mesma forma, outros tomam rumos diferentes. Contos de fadas e mitos folclóricos se misturam, formando uma antologia sensacional.


Gato de Botas, Branca de Neve, Chapeuzinho Vermelho, Baba Yaga e Os Músicos de Bremen são apenas alguns dos contos presentes na obra. Cada um tem traços diferentes, revelando a personalidade de cada artista. Dos contos por mim desconhecidos, os que mais gostei foram "O Príncipe e a Tartaruga" e "O Menino Que Desenhava Gatos".


Não tem como eu ficar falando muito do livro, mas a certeza é de que vocês devem ler. Mesmo sendo direcionado ao público infantil, pode ser lido por todos. É uma ótima opção de presente e a Galera Record fez um ótimo trabalho de diagramação e revisão. 

7 de abril de 2015

[Resenha] - A Seleção, de Kiera Cass

Autor (a): Kiera Cass 
Editora:Seguinte
Ano: 2012
Número de Páginas: 368
Onde Comprar?submarino/extra

A Seleção - Nem todas as garotas querem ser princesas. America Singer, por exemplo, tem uma vida perfeitamente razoável, e se pudesse mudar alguma coisa nela desejaria apenas ter um pouquinho mais de dinheiro e poder revelar seu namoro secreto. Um dia, America topa se inscrever na Seleção só para agradar a mãe, certa de que não será sorteada para participar da competição em que o príncipe escolherá sua futura esposa. Mas é claro que seu nome aparece na lista das Selecionadas, e depois disso sua vida nunca mais será a mesma.


 Este livro há pouco tempo foi muito comentado, porém eu não tive a oportunidade de lê-lo até então.

A seleção é o primeiro livro da quadrilogia, narrado em primeira pessoa por America Singer uma jovem de casta cinco. Ela é determinada e não tem nenhum medo de expressar seus sentimentos, deixando bem claro que não gosta de nada do que está vivendo, mais será que o seus sentimentos em relação ao príncipe vai mudar? Sua mãe já por outro lado ver uma oportunidade de se torna uma Um e não precisar se preocupar se haverá comida ou não, oferecendo uma vida digna a sua filha.
 
 Illéa é dividida em castas e America Singer é uma cinco, sua família depende da mudança de estações para sobreviver, mas com algumas mudanças no calendário eles já estavam ficando sem dinheiro quando surge a oportunidade de está na seleção, entre trinca e cinco garotas uma se tornaria rainha, para as outras garotas é um sonho para America um pesadelo por que abandonaria o seu grande amor, Aspen, eles vivem um romance proibido e o único sonho de America é assumir o seu namoro e não se casar com um príncipe, mas isso muda quando sua mãe insiste em escrevê-la na seleção com o objetivo de tirar a família da lama.
 
Aspen é um seis, trabalha como ajudante para sustentar sua família, ele é inteligente, forte, e bonito, mas também não consegue tirar o peso da sua cabeça de não poder oferecer uma vida confortável a America, mas ela também não dá à mínima e acha o sistema de cascas uma perda de tempo não se importando de se tornar uma seis.

 O príncipe Maxon é um homem altamente educado mais também não tem a mínima ideia de como lidar com mulheres, às vezes ele deixa certas duvidas se realmente é apenas esse bom moço que mostra ser, seu dia é atarefado por causa das invasões dos terroristas no palácio real e todo o reino em si, ainda mais quando se tem trinta e cinco garotas para decidir qual será sua esposa.
 
Muitas das garotas selecionadas não estão no palácio pelo príncipe e sim pela coroa e uma vida digna, afinal quem não quer ser rainha. America ver aquele mundo como uma grande farsa mais depois que começa a conviver no palácio começa a percebe que talvez estivesse errada em relação a tudo o que havia pensado até então.

 A seleção é um livro envolvente que não o faz querer parar. Estou ansiosa para ler a continuação e indico a todos que querem um romance que não seja tão meloso, mas também agradável, e garanto que ele já esta entre os meus favoritos.

26 de março de 2015

[Resenha] - A Maldição do Tigre, de Colleen Houck

Autor (a): Colleen Houck
Editora: Arqueiro
Ano: 2011
Número de Páginas: 344
Onde Comprar? Americanas / Saraiva


Kelsey Hayes perdeu os pais recentemente e precisa arranjar um emprego para custear a faculdade. Contratada por um circo, ela é arrebatada pela principal atração: um lindo tigre branco. Kelsey sente uma forte conexão com o misterioso animal de olhos azuis e, tocada por sua solidão, passa a maior parte do seu tempo livre ao lado dele. O que a jovem órfã ainda não sabe é que seu tigre Ren é na verdade Alagan Dhiren Rajaram, um príncipe indiano que foi amaldiçoado por um mago há mais de 300 anos, e que ela pode ser a única pessoa capaz de ajudá-lo a quebrar esse feitiço. Determinada a devolver a Ren sua humanidade, Kelsey embarca em uma perigosa jornada pela Índia, onde enfrenta forças sombrias, criaturas imortais e mundos místicos, tentando decifrar uma antiga profecia. Ao mesmo tempo, se apaixona perdidamente tanto pelo tigre quanto pelo homem.

Finalmente, dei início a uma série que parece que todo mundo já tinha lido e eu era o único a não conhecer. “A Maldição do Tigre” é o primeiro livro da Saga dos Tigres. E preciso dizer, antes de tudo, que Colleen Houck criou uma história original e se reinventou no gênero ao usar o hinduísmo como tema central de sua obra.

Iremos acompanhar a vida de Kelsey, uma jovem que perdeu os pais recentemente e precisa agora encarar o desafio de ter um trabalho. E é em um circo que ela acaba indo parar, alimentando os animais, sendo um deles um charmoso tigre branco pelo qual se vê totalmente atraída.

Kelsey é uma personagem insegura e teimosa, mas também amável e destemida. É uma personagem que já passou por situações difíceis porém que ainda tem que aprender a controlar melhor as emoções. E Ren, o tigre branco, vem justamente para se equilibrar com a personagem, pois apresenta características que a completa. É inegável o sentimento e atração de ambos pelo o outro, desde o primeiro instante. Existem outros personagens que se destacam, mas por se tratar de uma série, prefiro pontuar apenas esses dois nesta resenha.

Colleen Houck descreveu brilhantemente seus cenários, basta abrir o livro que você se teletransporta instantaneamente para as cenas descritas no livro. Digo mais, com um pouquinho de mais concentração é possível até sentir aromas e sensações dependo dos lugares. Enfim, mergulhar na mitologia hindu foi interessante e viajar para Índia prazeroso.

Só tenho mais uma coisa a dizer: Quem não leu essa série ainda, leia quanto antes porque Colleen Houck é fantástica!