quinta-feira, 26 de março de 2015

[Resenha] - A Maldição do Tigre, de Colleen Houck

Autor (a): Colleen Houck
Editora: Arqueiro
Ano: 2011
Número de Páginas: 344
Onde Comprar? Americanas / Saraiva


Kelsey Hayes perdeu os pais recentemente e precisa arranjar um emprego para custear a faculdade. Contratada por um circo, ela é arrebatada pela principal atração: um lindo tigre branco. Kelsey sente uma forte conexão com o misterioso animal de olhos azuis e, tocada por sua solidão, passa a maior parte do seu tempo livre ao lado dele. O que a jovem órfã ainda não sabe é que seu tigre Ren é na verdade Alagan Dhiren Rajaram, um príncipe indiano que foi amaldiçoado por um mago há mais de 300 anos, e que ela pode ser a única pessoa capaz de ajudá-lo a quebrar esse feitiço. Determinada a devolver a Ren sua humanidade, Kelsey embarca em uma perigosa jornada pela Índia, onde enfrenta forças sombrias, criaturas imortais e mundos místicos, tentando decifrar uma antiga profecia. Ao mesmo tempo, se apaixona perdidamente tanto pelo tigre quanto pelo homem.

Finalmente, dei início a uma série que parece que todo mundo já tinha lido e eu era o único a não conhecer. “A Maldição do Tigre” é o primeiro livro da Saga dos Tigres. E preciso dizer, antes de tudo, que Colleen Houck criou uma história original e se reinventou no gênero ao usar o hinduísmo como tema central de sua obra.

Iremos acompanhar a vida de Kelsey, uma jovem que perdeu os pais recentemente e precisa agora encarar o desafio de ter um trabalho. E é em um circo que ela acaba indo parar, alimentando os animais, sendo um deles um charmoso tigre branco pelo qual se vê totalmente atraída.

Kelsey é uma personagem insegura e teimosa, mas também amável e destemida. É uma personagem que já passou por situações difíceis porém que ainda tem que aprender a controlar melhor as emoções. E Ren, o tigre branco, vem justamente para se equilibrar com a personagem, pois apresenta características que a completa. É inegável o sentimento e atração de ambos pelo o outro, desde o primeiro instante. Existem outros personagens que se destacam, mas por se tratar de uma série, prefiro pontuar apenas esses dois nesta resenha.

Colleen Houck descreveu brilhantemente seus cenários, basta abrir o livro que você se teletransporta instantaneamente para as cenas descritas no livro. Digo mais, com um pouquinho de mais concentração é possível até sentir aromas e sensações dependo dos lugares. Enfim, mergulhar na mitologia hindu foi interessante e viajar para Índia prazeroso.

Só tenho mais uma coisa a dizer: Quem não leu essa série ainda, leia quanto antes porque Colleen Houck é fantástica!

quarta-feira, 18 de março de 2015

[Resenha] - Antes da Forca, de Joe Abercrombrie

Autor (a): Joe Abercrombie
Editora: Arqueiro
Série: A Primeira Lei #02
Ano: 2014
Número de Páginas: 496
Onde Comprar? Americanas / Ponto Frio


Se tem uma coisa que amo numa série é a oportunidade de reencontrar seus personagens favoritos e ver o quanto agora eles parecem familiares, amigos de longa data. Pois é...Este é o meu sentimento ao rever o grupo amistoso formado por Cachorrão, Três Árvores e cia, de longe para mim o melhor núcleo do livro.

Dando continuidade ao épico “O Poder da Espada”, “Antes da Forca” vem com força total e supera o seu antecessor. Aqui encontramos um livro muito mais dinâmico e ardiloso, o autor se encontra bem mais sagaz e é preciso de um coração de ferro para aguentar todas as cenas e um bom estômago também.

Já tinha este livro aqui guardado algum tempo, porém resolvi aguardar o lançamento do último livro da trilogia para então dar continuidade a instigante história criada por Abercrombie. Bayaz, O Primeiro dos Magos, continua liderando um desconfiado grupo em busca de encontrar a Semente, mas a desconfiança dos integrantes não é à toa, Bayaz é um homem soturno que sempre sabe mais do que fala. Você confiaria a sua vida a um homem assim?

No norte, vemos como está saindo o major West na missão de liderar uma luta contra os soldados de Bethod, além de ter que proteger a vida do mimado Príncipe Lasdila. No ponto oposto, acompanhamos o cruel Glokta que foi mandado para comandar Dagoska e descobrir o que aconteceu com o último inquisidor da cidade. Glokta é o personagem mais repugnante da trama, mas suas cenas, sem dúvida, são as mais carregadas de drama.

Eu me pego pensando na genialidade do autor em ter conseguido criar uma obra tão densa, mas tão bem minuciosamente detalhada e fiquem calmos: não é um detalhado que cansa, parece que tudo que ele escreve é importante para o entendimento da história. E acredito que seja, ao menos, é impossível não se sentir parte integrante em um desses grupos ou de todos eles.

A Editora Arqueiro resolveu mudar as capas dos livros. É bem verdade que o meu primeiro está com a antiga capa, mas não posso negar que as novas são muito mais bonitas e mais atraentes e ponto para a revisão que continua brilhante.

Antes de finalizar a resenha, gostaria de ressaltar algo que me chamou atenção logo no primeiro capítulo do livro: a forma como o autor retratou a morte. Uma bela lição de moral para quem se acha superior aos demais seres humanos.

“Já tinha visto muitos mortos, claro, mais do que seu quinhão, mas jamais ficava confortável perto deles. É fácil transformar um homem em carcaça. Ele conhecia mil formas de fazer isso. Contudo, tão logo você o faça, não há como voltar atrás. Num minuto existe um homem, todo cheio de esperanças, pensamentos e sonhos. Um homem com amigos, com família que veio de algum lugar. No minuto seguinte ele é lama". (pág.10)

quarta-feira, 11 de março de 2015

[Resenha] - As Confissões das Irmãs Sullivan, de Natalie Standiford

Autor (a): Natalie Standiford
Editora: Galera Record
Ano: 2015
Número de Páginas: 352
Onde Comprar? Saraiva

A avó das irmãs Sullivan reúne a família para anunciar que em breve morrerá. E, possivelmente pior, que removeu toda a família de seu testamento. Como ela é a fonte de quase toda a renda familiar, isso significa que ficarão sem um tostão. Ela foi ofendida por alguém da família, mas diz que, se o ofensor se revelar com uma confissão do seu crime enviada para seu advogado, ela pode recolocar a família no testamento. Agora, nenhum segredo é grande ou demais para as irmãs Sullivan. E que comecem as confissões.

Ler as “As Confissões das Irmãs Sullivan” foi se arriscar no desconhecido e ter como referência apenas os empolgantes comentários do outro livro da autora – “Como dizer adeus a um robô”.

Não dar para iniciar essa resenha sem dizer que eu esperava por protagonistas adultas e com problemas bem mais complexos, então foi uma surpresa para mim abrir o livro e encontrar protagonistas adolescentes que ainda estão descobrindo o mundo e que têm sede de revolução. Porque esse pensamento? Porque se na sinopse diz que a matriarca da família – a Poderosa Lou – retirou todos do testamento, pensei que seria um assunto entre mãe e filhos, e não entre avó e netas.

Bom, mas deixando minha visão equivocada de lado…Lá vão Norrie, Jane e Sassy escreverem suas cartas confessando todas as maldades cometidas e perdido perdão pelo o coração ressentido da avó.

Norrie é das irmãs, a mais velha. Por isso, cabe a ela o papel de ser a irmã mais correta, está sempre tentando agradar a tudo e a todos. Ela é romântica e sonhadora e sua carta é a mais bonita. 

Do outro lado, está a incompreendida Jane. Ela é a personagem do contra, que tenta camuflar as suas emoções apontando os defeitos dos outros. Achei a personagem mais humana, por ela não tentar ser uma heroína e dizer o que pensa. Claro, ela nos seus 16 anos tem ainda muito o que aprender.

Sassy vem para representar toda a doçura e ingenuidade do livro. Acho que a personagem funcionou bem como coadjuvante nas cartas das suas irmãs. Porém, em sua própria carta acabou sendo pouco explorada. Ela apenas tem a mania de acreditar que é imortal.

E claro... a avó das garotas parecia para mim uma combinação de Miss Marple com o Poderoso Chefão. Enfim, “As Confissões das Irmãs Sullivan” não me deixou impactado, mas conseguiu me prender nas páginas durante a leitura por ter uma narrativa de fácil entendimento. É mais uma leitura para passar o tempo, daquelas que se lê quando toma o chá das cinco. Á propósito, acho que a Poderosa Lou iria apreciar este tipo de leitura.

A história se passa em um curto período de tempo – do Natal ao Ano-Novo. Mas através das cartas vamos vivenciando as aventuras das garotas por meio de flashbacks. As cartas é outro fator que contribui para o bom andamento da leitura, já que é como se as personagens comunicassem contigo.

O livro está com uma diagramação bem simples, porém caprichada. Eu recomendo a leitura, só aconselho não colocarem tantas expectativas.

segunda-feira, 9 de março de 2015

[Resenha] - Amy & Matthew, de Cammie McGovern

Autor(a): Cammie McGovern
Editora: Galera Record
Ano: 2015
Número de Páginas: 336
Onde Comprar? Saraiva

Amy & Matthew - Amy e Matthew não se conheciam realmente. Não eram amigos. Matthew sabia quem ela era, claro, mas ele também sabia quem eram várias outras pessoas que não eram seus amigos.Amy tinha uma eterna fachada de felicidade estampada em seu rosto, mesmo tendo uma debilitante deficiência que restringe seus movimentos. Matthew nunca planejou contar a Amy o que pensava, mas depois que a diz para enxergar a realidade e parar de se enganar, ela percebe que é exatamente de alguém assim que precisa.À medida que passam mais tempo juntos, Amy descobre que Matthew também tem seus problemas e segredos, e decide tentar ajudá-lo da mesma forma que ele a ajudou.E quando a relação que começou como uma amizade se transforma em outra coisa que nenhum dos dois esperava (ou sabe definir), eles percebem que falam tudo um para o outro... exceto o que mais importa.

Amy é uma adolescente de 17 anos com paralisia cerebral espástica, ela ver sua vida completamente igual das outras adolescentes, mesmo precisando de ajuda para algumas coisas. Ela é uma garota determinada, corajosa e que tenta se superar todos os dias. Porém, quando um garoto diz para ela que sua felicidade é apenas uma fachada, que é impossível ela ser feliz começa a se pergunta por que ainda não tem amigos.

É... Matthew parece ser cruel a uma primeira vista, porém ele só é vítima das situações da família: uma mãe depressiva e pais separados. Ele se sente excluído da sociedade e sem amigos. Quando se pega olhando todos a sua volta, ele observa Amy – a proposito ele a observa desde do jardim de infância - e começa a duvidar da felicidade da garota.

Depois de ela perceber que durante toda sua vida foi cuidada por auxiliares, cujo todos eles eram adultos e que estava no último ano do ensino médio sem amigos decide mudar as regras do jogo e quer que seus auxiliadores sejam adolescentes e um deles é o solitário Matthew. Então durante este último ano, uma vez por semana, Matthew passa a ajudar Amy e dali nasce uma grande amizade. Ou melhor, talvez algo mais que uma amizade. Mas, será que eles terão coragem de admitir isso uma para o outro?

Calma, nem tudo é um mar de rosas ou tão pueril. Amy terá que lidar com a oposição da mãe que não acha Matthew uma boa influência para a sua filha. A mãe de Amy é uma pessoa obsessiva, uma ex-cientista que tenta provar para todos que sua filha mesmo sendo deficiente é tão capaz quanto as outras meninas de sua idade. Isso seria bom, se ao menos ela consultasse a garota sobre que decisões tomar.


Narrado em primeira pessoa, alternando entre Amy e Matthew, encontramos uma leitura calma, nem empolgante e nem cansativa. O autor conduz sua narrativa de uma forma bem simples, sem muitas palavras rebuscadas.

Além da deficiência de Amy, o autor irá tratar sobre o transtorno obsessivo compulsivo (TOC), conflitos familiares, depressão, preconceito e divórcio e algumas coisas a mais que se eu dizer, acabaria dando spoilers. 

“Amy & Matthew” é uma boa história, com um final misterioso que cabe ao leitor imaginar o que aconteceu. De qualquer forma é uma leitura que recomendo para todos.

segunda-feira, 2 de março de 2015

[Resenha] - O Crime Mais Que Perfeito, de Carlos Heitor Cony e Anna Lee

Autores: Carlos Heitor Cony e Anna Lee
Editora: Galera Júnior
Ano: 2015
Número de Páginas: 144
Onde Comprar? Saraiva

O Crime Mais Que Perfeito - Duda vai precisar mesmo dos amigos dessa vez! O confiável Sr. Álvaro está sendo acusado de roubar umas das mais importantes — e ricas — clientes do banco em que trabalha. E por mais que Duda e a mãe, Dona Antônia, tentem argumentar, as autoridades insistem em não ouvi-los. Numa corrida contra o tempo, e a preciosa participação do astuto Jacaré e do atrapalhado Joca, eles farão de tudo para descobrir os verdadeiros culpados. Mas será que vão conseguir?

“O Crime Mais Que Perfeito” foi aquele livro que veio para quebrar um gelo nas leituras cheias de suspense e dramas que vinha fazendo. Ele é o quinto volume de uma série infanto-juvenil intitulada “Duda, Jacaré & Cia” – uma série de romance policial dedicado aos jovens leitores. 

Sou daqueles leitores ávidos por um bom suspense, que gosta de solucionar mistérios e que é fã do Scooby-Doo. Então, este livro mesmo sendo dedicado para leitores mais jovens do que eu, caiu como uma luva. 

Em seu mais novo mistério, Duda está atrás do assassino de uma rica senhora, cliente do banco em que seu pai trabalha. Mas, ele só se meteu nessa missão, porque o seu pai foi acusado de ser o assassino. E é com ajuda do falastrão Jacaré e da sua namorada Beta que ele irá em busca do verdadeiro assassino para inocentar seu pai.

Duda é um rapaz decidido, teimoso e convencido – diria que atitudes normais para um adolescente. Porém, algo me incomodou na construção do personagem do Duda. Apesar de ele ter quinze anos, não conseguia enxergar ele com tal idade, parecia ser um garoto de dez querendo ter atitudes de um garoto de quinze, mesmo com toda a responsabilidade que ele assume para desvendar o mistério.

A obra escrita por Carlos Heitor Cony e Anna Lee – autores brasileiros – é bem desenvolvida e consegue segurar a atenção do leitor, mesmo sendo meio previsível para uma mente mais aguçada, porém devemos nos lembrar que o público alvo é o infanto-juvenil.

Apesar de fazer parte de uma série, o livro pode ser lido independentemente que foi a forma como eu fiz, sendo a minha primeira experiência com os autores. É um bom livro para descontrair e uma ótima dica para jovens leitores.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

[Resenha] - Mundo Novo, de Chris Weitz

Autor (a): Chris Weitz
Editora: Seguinte
Ano: 2014
Número de Páginas: 328
Onde Comprar? Submarino/Americanas


Neste mundo novo, só restaram os adolescentes e a sobrevivência da humanidade está em suas mãos.
Depois que um vírus erradicou toda a população, exceto os adolescentes, os jovens dividem-se em tribos para sobreviver. Jefferson, o inseguro líder do grupo da tribo da Washington Square, e Donna, a garota por quem ele está apaixonado , se estabelecem precariamente em meio ao caos. Porém, quando outro integrante do bando descobre uma pista que pode levar à cura da Doença, eles partem para uma viagem arriscada para salvar o que restou da humanidade.
Enquanto isso, Jeff tenta criar coragem para se declarar para Donna, e a garota luta para entender seus próprios sentimentos - afinal, conforme os dias passam, a adolescência vai ficando para trás e a Doença está cada vez mais próxima.

Depois que Washington, o irmão mais velho de Jefferson, morreu por causa da Doença, ele se ver obrigado a liderar um grupo, antes comandado pelo irmão, mas ele não tem a mínima ideia de como fazer isso. Quando um dos componentes do grupo - Crânio - descobre pistas da cura da Doença e Jeff se vê completamente apaixonado por Donna, eles vão à busca da cura na esperança de sonho de uma nova humanidade, mas não esperavam o que iam encontrar pela frente, lutando para sobreviver ao caos, descobrem coisas que jamais imaginariam serem capazes. 

Quando saem da Washington Square, eles encontram uma biblioteca mal assombrada, um grande mercado liderado pela gangue da Uptown, um antigo zoológico abandonado cheio de perigos e vários lugares que vão fazer parte do percurso. 

A capa em fluorescente laranja já chama bastante atenção, então já dar pra imaginar como é o livro. De inicio parece ser meio clichê, mas a medida que você se aprofunda na história, vai percebendo o quanto é instigante. Weitz cita bastante a questão de jogos de guerra, por que a sobrevivência de alguns adolescentes foi devido à experiência com estes, antes do acontecimento pré-apocalíptico - nome dado por uma das personagens.

O livro é narrado em primeira pessoa, ora por Jefferson ora por Donna. Carregado de muitas emoções, conseguiu me surpreender, mas você só saberá o porquê, se o lê até o fim. Os personagens são bem diversos em suas características e ao longo do livro o autor, vai inserindo novos personagens o que deixa muito mais interessante.

Mundo Novo é o primeiro livro de uma trilogia, portanto espero ansiosa pela continuação, uma vez que neste primeiro volume o livro atendeu minhas expectativas.